Em uma assembleia considerada decisiva, os trabalhadores da Avibras Indústria Aeroespacial, em Jacareí, aprovaram nesta quarta-feira (11) a proposta de pagamento da dívida trabalhista acumulada pela empresa. Com a decisão, a expectativa é de que as atividades da principal indústria bélica do país sejam retomadas em abril, após cerca de três anos sem produção contínua.
A aprovação também encerra uma greve que durou 1.280 dias, iniciada em setembro de 2022 devido ao atraso no pagamento de salários. O movimento é considerado um dos mais longos e significativos já registrados no Brasil.
O plano aprovado prevê o pagamento de aproximadamente R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas, com parcelamento entre 12 e 48 vezes, conforme a faixa salarial. Ao todo, cerca de 1.400 trabalhadores têm valores a receber.
Para viabilizar a retomada das atividades, a empresa deverá desligar os 850 funcionários ainda registrados, quitar os débitos conforme o acordo e recontratar cerca de 450 trabalhadores. O processo de demissões, homologações e novas contratações deve ocorrer entre março e abril.
As condições foram negociadas com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que submeteu a proposta à votação em assembleia. Paralelamente, o Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou um pedido de credores para anular o plano de recuperação judicial alternativo, o que poderia comprometer a retomada da empresa.
Nesses quatro anos, o Sindicato manteve-se à frente das lutas e da cobrança ao governo federal para que tomasse medidas em defesa dos trabalhadores e pela sobrevivência da Avibras.
“Esta é uma assembleia histórica para o Sindicato. Ao longo de quatro anos, o Sindicato organizou os trabalhadores para uma luta que também deveria ser do governo federal, mas em nenhum momento tivemos esse apoio. Foi um período muito difícil para os trabalhadores, que ficaram mais de 30 meses sem salário e sem o suporte do Estado. Cada um dos lutadores merece o reconhecimento pela força e resistência”, afirma o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.
Foto: Roosevelt Cássio



