Em uma das avenidas mais movimentadas de São José dos Campos, lugar em que o som dos automóveis se mistura ao burburinho das pessoas que por ali transitam, há um portão que leva a outro ritmo. Ao atravessá-lo, a paisagem urbana dá lugar à tranquilidade de pequenas alamedas e à sensação de amplitude do câmpus universitário, um local no qual predominam o branco dos jalecos e o vai-e-vem de jovens com mochilas cheias de cadernos e, por que não, de expectativas.
Foi ali que teve início a história do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) da Unesp, na cidade de São José dos Campos, nascida como Faculdade de Odontologia e, desde 2013, transformada no atual ICT, após a chegada do curso de Engenharia Ambiental. Em 2025, o Instituto segue formando alguns dos melhores cirurgiões dentistas do país, segundo rankings internacionais, e também engenheiros ambientais comprometidos com a sustentabilidade, a ciência aplicada e a inovação.
“O curso de Engenharia Ambiental surge em um momento de forte expansão do ensino superior público, especialmente nas engenharias. Em razão da crescente preocupação com o meio ambiente e as mudanças climáticas, optou-se pela instalação desse curso aqui na cidade”, diz o professor César Rogério Pucci, atual diretor do ICT.
O câmpus ganhou, digamos, uma extensão para o curso de Engenharia Ambiental, instalado no Parque de Inovação Tecnológica de São José, em uma região mais afastada do centro da cidade, porém integrada a empresas e centros de inovação. “O curso de odontologia exige uma estrutura clínica muito grande e o de engenharia também tinha suas próprias demandas. Então a melhor solução para o momento foi descentralizar”, explica o diretor.
Atualmente, o ICT conta com 94 docentes, já tendo formado 3.332 odontólogos e 124 engenheiros ambientais, além de 638 mestres e 376 doutores. “Muitos dos nossos ex-alunos atuam em prefeituras e instituições públicas. A atual coordenadora de saúde bucal de São José dos Campos, por exemplo, formou-se aqui”, destaca Renata Mendes, diretora técnica acadêmica.
Nos cinco anos da graduação em Odontologia, os estudantes passam por todas as especialidades, com forte integração entre teoria e prática. A formação inclui estágios supervisionados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), visitas domiciliares, ações educativas em escolas e atendimento clínico direto à população.
Em 2023, os alunos realizaram aproximadamente 19.600 procedimentos odontológicos, que contemplaram atendimentos em clínicas, eventos e escolas. “Cada paciente é atendido com responsabilidade, materiais de qualidade e supervisão docente”, afirma a vice-diretora da unidade, professora Symone Cristina Teixeira.
Esse compromisso com a qualidade tem reflexo direto na reputação do curso. Em 2025, a graduação em Odontologia da Unesp em São José dos Campos foi a mais procurada pelos vestibulandos, superando a relação candidato/vaga da USP, por exemplo. Um reconhecimento que reforça a excelência da formação oferecida, segundo a direção.
Na graduação em engenharia ambiental, os estudantes iniciam com uma base comum e, no final do curso, escolhem uma ênfase: saneamento, gestão ou geoprocessamento. A formação inclui práticas de campo, como plantio de árvores, visitas a cooperativas, educação ambiental e monitoramento de nascentes. Além disso, há uma integração com a secretaria municipal de meio ambiente de São José dos Campos.
Extensão que transforma
Parte dos projetos político-pedagógicos dos cursos, o ICT desenvolve hoje nove projetos de extensão. Entre eles, estão o Transformando Sorrisos e Derrubando Barreiras, coordenado pela professora Fernanda Alves Feitosa, que oferece atendimento odontológico à população trans, promovendo inclusão, acolhimento e acesso à saúde de qualidade.
A unidade também mantém o Asas da Leitura, clube literário com encontros mensais abertos à comunidade, e o Pré-Vest, cursinho pré-vestibular gratuito com 100 vagas anuais, que já se tornou uma porta de entrada ao ensino superior para muitos jovens de baixa renda da região.
No curso de Engenharia Ambiental, a extensão universitária segue a diretriz do Projeto Articulado de Extensão Universitária (PAEX), com disciplinas obrigatórias integradas diretamente à grade curricular. Por meio delas, os estudantes têm contato com a prática desde os primeiros anos do curso, atuando em projetos voltados para a comunidade local e o meio ambiente.
“Os alunos têm esse contato com a prática desde cedo, por meio de atividades junto à comunidade. Um projeto muito interessante levou os alunos para visitar várias cachoeiras e mananciais da região. A partir dessas experiências, foram criados materiais educativos em parceria com escolas locais, abordando a importância da preservação, da água e da sustentabilidade”, relata a vice-diretora Symone Cristina Teixeira.
Segundo a direção do Instituto, a formação oferecida no ICT é conectada com as demandas de mercado e as disciplinas optativas cumprem esse papel de atualização constante do currículo. Um exemplo disso é a disciplina de harmonização orofacial do curso de odontologia, que atende a uma demanda crescente. “O mercado muda o tempo todo. Se a universidade não acompanha, corre o risco de se distanciar das expectativas dos alunos”, observa o diretor César Pucci.
Foto Unesp










